Wednesday, September 06, 2006

Novo endereço!

Após completar dois anos de blogue, a Casa do Professor mudou de endereço!

Em "Inovação & Inclusão" encontrará todos os textos sobre a temática do desenvolvimento do interior do território português.



Com esta alteração pretendeu-se assumir a abertura há muito verificada, de debater e reflectir sobre assuntos que não são do foro educacional.

Obrigado pela visita!

Sunday, August 06, 2006

Cidades do Interior

Em conversa de café com o Nuno, este chamou a atenção para algo que todos sabemos e raramente pensamos no assunto: Sempre que um repórter de televisão produz uma notícia fora das CHAGAS URBANAS, a imagem é sempre de um velhote desdentado ao lado da sua esposa de luto.
Aparentemente pitoresco para quem assiste a partir das referidas chagas, esta imagem transmite (até à exaustão) a ideia de que o interior é apenas isso.

A democratização do conhecimento, através da imprensa regional e da cobertura nacional da banda larga, tem vindo a homogeneizar o nivel cultural e intelectual da população portuguesa.

O interior é composto por cidades funcionais, onde a deslocação aos mais diversos serviços se faz geralmente a pé, e onde nascem pequenas unidades de negócio com um "costumer service" que nas grandes cidades raras vezes existe.

Esta imagem sistemática de "coitadinhos atrasados mentais" tem que mudar.

Para isso, todas as associações de municipios devem, numa perspectiva de promoção regional, encontrar junto das televisões interlocutores que compreendam a nova realidade promovendo oportunidades económicas para as suas regiões.

A título de exemplo: Quantas clientes de internet banda larga 4Mb em Lisboa/Porto beneficiam de 2,4 Mb reais de tráfego (três vezes superior à média europeia e 50% superior a banda larga T-1)? Fará sentido que nas médias organizações nacionais, os serviços não-comerciais continuem a funcionar nas grandes cidades, onde os custos com pessoal e instalações são 200% superiores a uma cidade do interior cuja qualidade de vida (social, ambiental e económica) é incomparavelmente superior?

Saturday, August 05, 2006

OCDE







Esta pagina remete-nos para as estatisticas sobre Portugal elaboradas pela OCDE:
http://stats.oecd.org/WBOS/ViewHTML.aspx?QueryName=196&QueryType=View&Lang=en

Este outro para o relatorio de 2006 sobre Portugal
http://www.oecd.org/dataoecd/2/12/36780494.pdf

Friday, August 04, 2006

Cidades do interior



O estudo que o Expresso apresentou sobre as cidades dava protagonismo surpreendente a Bragança, que foi considerada em quarto lugar, e deixava mal a Guarda, em 23º lugar. Quem viaja e vai, também para norte, e não apenas ao Algarve, não ficou surpreendido. As cidades transmontanas deram um enorme salto e desenvolveram-se. Tudo ao contrário do que aconteceu com a Guarda que continua dependente dos serviços e não se desenvolve. Vila Real e Bragança já deixaram a Guarda para trás. E de que maneira.

in O interior, Abril 13, 2004

Sunday, July 30, 2006

Athina Onassis malcriada?

O Correio da Manhã dá conta da indisponibilidade de Athina Onássis, durante a prova de equitação que se realizou no último fim de semana em Cascais. E faz essa denúncia numa revista carregada de banalidades e de "social" que me fez lembrar um catalogo que conheci num hotel em Espanha...

Será que, como a própria diz, a sua fortuna herdada a obriga a uma vida social que não admira?
Quem é que pode admirar uma vida social cheia de prostitutas, proxenetas, "jornalistas" e fotógrafos?

Saturday, July 29, 2006

Maria João Pires: O Caso "Belgais"

Maria João Pires incompatibilizou-se com o nosso país e decidiu partir de armas e bagagens para o Brasil.
As motivações não são claras: Queixa-se de falta de apoio, quando recebeu do estado português 1,8M€ para esse projecto, segundo fonte ministerial.

Dessa verba, existe um pequeno valor que está dado como injustificado. Por outro lado, existe uma condenação judicial de uma dívida a uma editora local.

Seja o que for, e aconteça o que acontecer, o Centro de Estudos para as Artes de Belgais não pode desaparecer.
Trata-se de um projecto de educação musical no interior do país, cujas crianças que se entusiasmaram em torno da mesma não devem ser prejudicadas nesta onda nebulosa de acontecimentos.

Belgais deve a Maria João Pires a ousadia deste projecto e o Centro de Estudos deve às crianças da região 1,8M€ de apoios governamentais para educá-las.

Com o sem Maria João Pires, o interior não pode morrer.
O "interior" será o exemplo nacional de desenvolvimento económico e social sustentável, nos próximos 20 anos.

Está na hora de planear e de participar. Os resultados são frutos de projectos e suor e não do acaso!

Tuesday, July 25, 2006

Estratégia de Lisboa...


Estratégia de Lisboa não é utopia, diz Maria João Rodrigues

A conselheira da Comissão Europeia Maria João Rodrigues defendeu na terça-feira que a Estratégia de Lisboa, elaborada para encontrar um modelo de desenvolvimento sustentável para a União Europeia, não é fácil de concretizar mas não é uma utopia.

«Todos temos consciência de que não é fácil concretizar a Agenda de Lisboa, mas não se trata de uma utopia, trata-se de um projecto concretizável, como hoje vemos em certos países e regiões que já foram mais longe nessa concretização e, por isso, já estão a retirar benefícios em termos de crescimento e de criação de mais e melhores empregos», sustentou.

Também conhecida como «a Senhora Lisboa», Maria João Rodrigues, artífice da Agenda de Lisboa, definida em 2000, durante a presidência portuguesa da União Europeia, e renovada em 2005, falava no lançamento de mais um número da revista bianual «Europa: Novas Fronteiras», para a qual escreveu um artigo, no Centro de Informação Europeia Jacques Delors, em Lisboa.

«[A agenda de Lisboa é] a busca de um modelo de desenvolvimento que seja capaz de abrir perspectivas de crescimento e emprego apostando no conhecimento, na qualificação das pessoas e conseguindo garantir o equilíbrio entre aquilo a que chamamos o económico, o social e o ambiental. É exactamente isso que está por trás do conceito de desenvolvimento sustentável», frisou.

Nas «vésperas» de uma nova presidência portuguesa da UE, a presidente do Conselho das Ciências Sociais da Comissão Europeia considerou ser altura de fazer um curto balanço do que já foi feito e esclarecer algumas ideias erradas que circulam sobre a Estratégia de Lisboa.

«O chamado objectivo da Agenda de Lisboa não é, contrariamente ao que muitas vezes é divulgado, tornar a economia europeia a economia mais competitiva do mundo. Essa é a versão vulgarizada do objectivo», afirmou.

«Se lerem as conclusões da cimeira de 2000, vão ver que é uma frase um pouco mais longa e que lá está também a ideia de crescimento e emprego, de coesão social e de preservação do ambiente. A Agenda de Lisboa procura combinar isto e é por isso que a Europa pode fazer melhor do que outras regiões no mundo (...) Estamos a falar da via europeia para uma economia baseada no conhecimento», sublinhou.

Quanto ao balanço dos resultados, Maria João Rodrigues considera que «passados estes anos, a grande verdade é que há hoje grandes diferenças entre regiões e países e há uns que estão a avançar mais depressa do que outros».

«É bom que retiremos lições disso», observou.

O professor universitário José Amado da Silva, outro dos intervenientes na sessão de lançamento da revista, defendeu, por seu lado, que «o problema central da Europa é um problema de dignidade», que o modelo de desenvolvimento vigente retira a dignidade aos cidadãos ao retirar-lhes o emprego, tendo colocado a questão «pode haver cidadania quando se é desempregado de longa duração?».

Depressa concluiu que a cidadania passa pela procura do emprego e que «o crescimento é necessário para o emprego, mas não assegura o emprego».

O coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e da implementação do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, apontou várias dificuldades à aplicação daquele projecto, argumentando que «se trata de uma estratégia baseada na inovação, na flexibilidade, na competitividade que procura sobreviver num contexto institucional muito rígido» e «com uma estratégia de comunicação pouco consistente e que funciona por impulsos».

Carlos Zorrinho considerou que existem «alguns riscos e ameaças globais» em relação à Estratégia de Lisboa, como o facto de «poder surgir como bode expiatório de outros impasses», «de se procurar fazer avaliações conjunturais de estratégias que, pela sua natureza, são estruturais».

«Tenho algum receio de alguns modelos tecnocráticos de acompanhamento, de implementação, de avaliação. Julgo que temos sempre de contextualizar, temos de avaliar sobretudo tendências, não tanto resultados brutos ou resultados absolutos, e temos de ser capazes de transmitir confiança», sustentou.

«Ao transmitirmos incapacidade de conseguir, a dúvida permanente em relação a conseguir, num contexto de gestão de expectativas, contribui muito para que não se consiga. O problema de fundo é que não é fácil conseguir aquilo que nós queremos, não é fácil tornar a Europa mais competitiva mas dentro do seu modelo, sustentável dentro do seu modelo», prosseguiu.

Segundo Carlos Zorrinho, para alcançar esse objectivo, é necessário o envolvimento dos cidadãos e não passar a mensagem de que é impossível, porque esse «é um bom álibi para não nos envolvermos».

Para o responsável, «existe pouco a fazer do ponto de vista conceptual, mas muito a fazer em matéria de aplicação» para cumprir o sonho dos fundadores da construção europeia, «que era um sonho de dignidade, desenvolvimento e progresso».

in CIPAF, Daniela Gonçalves, Maio 2006